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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

TENHAMOS CONFIANÇA

"Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança;" (1 João 4:17)

Aqui está uma das mais poderosas declarações registradas pelo apostolo João. Apenas aqui temos implicações poderosas relacionadas conosco. 
Mas de qual amor ele se refere? Seria o amor que tenho para com Deus? Seria o amor que tenho para com o meu próximo? 

DE QUE AMOR SE REFERE O APOSTOLO?

O apostolo João, mais do que todos os demais discípulos de Jesus, teve revelação do amor. Não o amor que ele tinha por Jesus, nem aquele que tinha pelo próximo. O amor revelado em seu coração foi aquele que Jesus tinha por ele. No evangelho que leva o seu nome, o apostolo João refere a si mesmo como "aquele que Jesus amava" (João 13:23). Ás vezes ele também referia a si mesmo como "discípulo amado" (João 19:26). De fato, ele teve revelação do amor que Jesus tinha por ele. Além disso, na presente carta podemos ler o apostolo reafirmando: "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como pagamento pelos nossos pecados" (1 João 4:10). Portanto o amor defendido aqui pelo apostolo não se trata do amor que ele tem pelo Senhor, nem o amor que ele tem pelo próximo. Se trata do amor que o Senhor tem por ele.

O QUE SIGNIFICA DIZER QUE O AMOR É APERFEIÇOADO?

A palavra "aperfeiçoado" significa "desenvolvido". O apostolo afirma que o amor é desenvolvido em nós. Não significa que o amor de Deus por você pode ser diminuído ou aumentado. Não, o amor dEle  é imutável. Não pode sofrer alterações, nem mesmo considerando nossos pecados. Se o amor de Deus ainda dependesse de nossas ações, então o sacrifico de Jesus teria sido em vão.
O apostolo aqui está afirmando que a "revelação" ou "entendimento" do amor que Deus tem por você é desenvolvido. Não se trata de Deus me amar mais. Se trata de eu compreender o quanto Ele me ama. A falta dessa compreensão é o assunto que o apostolo quer tratar aqui. Em outras palavras ele está afirmando: "Nisto é, em nós, desenvolvido a revelação do quanto somos amados por Deus" (4:17).

PARA QUE NO DIA DO JUÍZO

O termo "para que" traz o sentido, ou melhor, a explicação do porque é tão importante entender o quanto somos amados por Deus. A razão principal é "para que no Dia do Juízo tenhamos confiança" (1 João 4:17). O "Dia do Juízo" aqui se refere ao julgamento vindouro (Mateus 10:15,1 Corintios 4:5, 1 Pedro 4:17), onde iremos prestar contas diante de Deus. O apostolo quer nos dar segurança. E, de acordo com ele, quanto mais entendimento do quanto somos amados, mais segurança teremos naquele Dia. De fato, o nível de revelação que o apostolo teve á respeito desse amor é imensurável. Pois ele defende que as consequências de saber o quanto somos amados pode afetar até mesmo aquele grande Dia. 
Agora temos que compreender que não precisamos ficar apenas com uma revelação que se aplica no futuro. Podemos também entender o "Dia do Juízo" como o dia da dificuldade, o dia do medo, o dia da luta, da tristeza, o dia em que tudo dá errado, o dia em que falhamos, em que pecamos, o dia em que somos injustiçados, traídos, abandonados, o dia da necessidade, o dia em que recebemos noticias ruins etc. Todos nós temos dias semelhantes. O mundo em que vivemos, como diz o apostolo, "jaz no maligno" (1 João 5:19). Ou seja, estamos em um mundo mergulhado no diabo. Passamos por inúmeros desafios em todos os aspectos da vida. Nenhum pastor pode afirmar que, depois de nascer de novo, o homem não enfrenta tais dificuldades. Jesus mesmo disse: "No mundo tereis tribulações" (João 16:33). 

TENHAMOS CONFIANÇA

Mas, apesar de todo contexto maligno em que estamos inseridos, há uma promessa para os filhos de Deus. Eis aqui a razão de o apostolo João ter explicado a importância de sabermos o quanto somos amados pelo Senhor; "...para que no dia do juízo tenhamos confiança;" (João 4:17). 
Você já teve a experiencia de se encontrar com alguém que você devia dinheiro ? Caso sim, você deve concordar comigo que é uma experiencia horrível. Não há nada mais desagradável do que, vez ou outra, trocar olhares com alguém que devemos algo. Nesse momento nos falta paz, somos incomodados pela divida, somos constrangidos pela culpa. Podemos até mesmo minimizar o desconforto quando a pessoa pra quem devemos dinheiro nos diz para não nos preocuparmos, e nos dá um prazo maior para pagarmos a divida. Por mais prolongado e generoso que seja o prazo, ainda sim nos faltará paz sempre que nos encontrarmos com essa pessoa. 
Podemos, para melhor compreensão, substituir a palavra "confiança" por "segurança". Para compreender essa "segurança" a que se refere o apostolo João, é necessário compreender o contrário dela, a saber, o medo. Porque o homem tem medo no que se refere ao relacionamento com Deus ? Pela mesma razão que temos medo quando nos encontramos com aquela pessoa a que devemos dinheiro. O medo é alimentado pela divida. A partir do momento em que o homem toma consciência do pecado, ele também toma consciência de que adquiriu uma divida com Deus. A gravidade do pecado não está nos atos que você comete, mas sim contra quem comete. O pecado pode até ferir alguém próximo a você, mas antes de tudo, feriu seu relacionamento com Deus. Dessa forma, o medo se tornou o sentimento predominante na "troca de olhares" com Deus. 
Porém, o apostolo João, o mesmo autor da presente carta, foi também quem testificou: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo o que nEle crê não morra, mas tenha a vida eterna... quem nEle crê não é julgado." (João 3:16,18). Jesus, o filho de Deus, resolveu o problema da divida, sendo Ele mesmo o pagamento. É como se aquela pessoa para quem você devesse dinheiro viesse até você, e lhe desse exatamente a quantia que você devia. Essa pessoa pra quem você devia, além de se achegar até você, também lhe deu as condições para pagar a divida. Uma vez paga a divida, aquela pessoa lhe abraça e diz que você não lhe deve mais nada. E como se não bastasse, ela ainda lhe dá mais dinheiro para seu uso pessoal. O sentimento imediato é a paz, depois o constrangimento do amor. Ao se encontrar com aquela pessoa novamente, você não sentirá medo ou desconforto, mas sim paz e muito mais; você se sentirá mais amado, pois só você entenderá que lhe era impossível resolver o problema, mas aquela pessoa te amou a ponto de resolver e fazer mais ainda por você. Agora, qualquer tentativa de compensar o que foi feito será considerado uma ofensa. Pois ao tentar compensar aquela pessoa, você estará considerando que o que ela fez por você foi apenas um "empréstimo" e não um ato de perdão. Por isso, diversas vezes o Novo Testamento usa o termo "Graça", se referindo á salvação (pagamento da divida) como um presente (Efésios 2:8). E usa a "fé" como a única condição para se apropriar da obra realizada por Jesus. Se Ele já pagou sua divida para com Deus, porque ter medo? Porque ainda se preocupar em fazer boas obras? Porque ainda sentir culpa quando as coisas não dão certo em sua vida? Uma vez que você crê que Jesus veio e quitou a sua divida, Deus não poderá lhe cobrar mais. Se Ele lhe perdoasse alguns pecados e cobrasse outros, então Ele estaria admitindo que o sacrifício do Seu Filho foi insuficiente. Por causa do sangue de Cristo, Deus não pode lhe perdoar parcialmente. Ele só pode lhe perdoar totalmente!
A confiança a que se refere o apostolo João, portanto, é a segurança de que não temos nenhuma divida com Deus e, por isso mesmo, não precisamos ter medo em Sua presença. Naquele grande Dia, aqueles que tiverem o entendimento do quanto são amados por Ele, não terão medo. Pelo contrário, terão confiança. Essa mesma paz podemos receber nos dias de dificuldades a que estamos sujeitos no presente século. Não precisamos mais ter medo, pois agora sabemos que somos, de tal forma, amados por Deus, que Ele foi capaz de entregar Seu único filho por nós. Se Ele deu o bem mais precioso que tinha, porque duvidar que poderá nos dar qualquer outra coisa que lhe pedimos? Por isso o sentimento predominante debaixo dessa revelação é a confiança. Sentimos ousadia e coragem para se aproximar de Deus e ter um relacionamento com Ele. 
Caro leitor, deixe-me reformular essa poderosa afirmação registrada pelo apostolo João: "Nisto é, em nós, desenvolvido o entendimento do quanto somos amados por Ele, para que no dia da dificuldade, não tenhamos medo, e sim paz, segurança e confiança" (1 João 4:17).




Att,
Lael Denis